quarta-feira, 1 de março de 2017

A REFLEXÃO DO SILÊNCIO



Precisamos aprender a calar, e do silêncio extrair algum significado. O silêncio, invariavelmente, tem muito a nos dizer. (Émerson Ghislandi)


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

AS PALAVRAS PERTENCEM AO MUNDO

Onde vistes em mim censura em qualquer momento? O que publico não pertence mais a mim! (Émerson Ghislandi)



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A MIM ATRAI A VERTIGEM


Só as exceções, o que é extraordinário, o que parece absurdo aos olhos dos bem-pensantes, o que se apresenta como excessivo e visionário, merecem que alguém se detenha a considerá-lo. Somente os extremos! Os loucos, os insensatos, os filósofos e os poetas. Todo o resto é desprezível. Só me atraem as criaturas que tendem para o alto, ou as que sondam os abismos impenetráveis, os insatisfeitos, aqueles cuja vida é um incêndio a consumir a alma. Tudo que é morno, fácil e medíocre, é execrável. Desculpem a franqueza, mas conheço de perto esse desejo violento das alturas. Não consigo satisfazer-me com a existência cotidiana e vulgar. Quero encontrar o divino!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A MESMICE SÓ FAZ ANIQUILAR

UM GRITO NA ESCURIDÃO


Temos alguns amigos que nos são caros e que, por sua vez, nos querem bem. Há um único, porém, dois no máximo, com cuja alma sinto-me vibrar em uníssono. Descubro em suas palavras idêntico propósito de buscar o que é profundo e estremecem diante do mistério. Os demais, à semelhança da grande massa, contentam-se com uma existência calma e superficial.


Minha estupefação só faz crescer ao espetáculo da vida tranquila e despida de inquietação que leva a maioria das pessoas, sem desassossegar-se de nada, um sorriso satisfeito nos rostos bem nutridos, sem um pensamento para os abismos que os cercam.


Quando em presença de um indivíduo dessa espécie, sinto-me, ora inteiramente estúpido, ora profundamente infeliz; não consigo compreendê-lo (se é que há o que compreender em semelhante ser), e ele, por seu lado, está longe de me compreender.


Os termos que usamos não têm o mesmo significado para um e outro; ele enxerga tudo de maneira comum, as coisas se lhe afiguram simples e despidas de mistério. Eu, pelo contrário, coloco-me frente à existência em posição de constante surpresa, questiono as profundezas, procuro alçar o espírito para os mais altos cumes.


O pensamento de um indivíduo dessa categoria espoja-se na lama, e quem quer que não o acompanhe surge a seus olhos como um exaltado, um louco, e é por ele desprezado e odiado. Quanto a mim, amo precisamente tudo que esse açougueiro teima em achar exagerado ou fora da ordem! (O político, o artista, o militar, o padre, o chofer, o ator, o poeta podem ser açougueiros pelo espírito, e o são, desgraçadamente, quase todos!)


Tudo o que não se ordena materialmente, e não entra pelas bem guardadas gavetas de suas lojas, é considerado inadmissível e desperta neles a zombaria. Quantas vezes tenho ouvido comentar, inclusive por supostos intelectuais, que aqueles que não souberam se dar bem na vida, são uns fracassados, independente da genialidade e da grandiosa alma que possuam. Exclamam, despeitados: por que se mostraram tão originais? Por que não pensar e agir como nós e todo mundo?


Viver é uma ocupação das mais ordinárias. Meu Deus, como odeio a mentalidade dessas criaturas! O amor, a beleza, tudo que a humanidade possui de superior, de sublime, é desprezado por eles e tachado de exagero.


Que animalesco! Como posso avaliar o que sofrem todos os que possuem a sensibilidade impregnada em suas almas no convívio com tanta boçalidade, tanta baixeza de ideias e sentimentos!







Jornalista Émerson Ghislandi